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Tech Leadership Rocks · #EP 246 Ia Métricas Governança
Capa do episódio Os desafios dos custos de IA com Rafael Escrich

Os desafios dos custos de IA com Rafael Escrich

RE
Rafael Escrich

4 de maio de 2026 · 1 hora e 1 minuto

Episódio

#246

Nesta conversa, Rafael Escrich fala sobre os custos de IA, métricas relevantes, governança de modelos e o impacto da IA na inovação e na organização de equipes de desenvolvimento.

Não vai ter IA que vai resolver um ambiente ruim de trabalho.

— Rafael Escrich, EP #246

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Resumo do episódio

Quais métricas realmente fazem sentido ao trabalhar com IA

Existe uma tendência perigosa nas empresas: criar métricas apenas porque “é preciso ter métricas”. Isso leva a indicadores pouco úteis — como medir simplesmente o uso de IA (tokens, chamadas, etc.), sem conexão com o resultado real do negócio.

O ponto central é simples: métricas precisam estar conectadas ao produto, à experiência do usuário e ao revenue. Focar apenas em uso ou eficiência técnica ignora questões mais importantes:

  • O produto está resolvendo melhor o problema do cliente?
  • Está gerando mais receita?
  • Está melhorando a experiência?

Além disso, IA não resolve problemas estruturais da organização. Pelo contrário: ela expõe falhas existentes, especialmente no alinhamento entre áreas como produto, engenharia e liderança.

IA realmente facilita a entrega de produtos?

Não tanto quanto parece. A IA acelera a escrita de código — mas código é a última etapa do processo. Antes disso, existem etapas críticas:

  • Entendimento do problema
  • Definição de produto
  • Alinhamento entre stakeholders
  • Decisões arquiteturais

Se essas etapas não estiverem bem resolvidas, a IA apenas acelera a criação de código ruim. Em outras palavras:

Fazer código mais rápido não significa entregar valor mais rápido.

Governança vs liberdade: até onde controlar o uso de IA

Ferramentas de IA têm custo, e, muitas vezes, alto. Isso naturalmente leva à necessidade de controle. Mas controle excessivo pode sufocar inovação. O equilíbrio passa por alguns princípios:

  • Dar autonomia com responsabilidade
  • Criar espaços seguros para experimentação
  • Incentivar propostas vindas do time
  • Evitar ambientes rígidos e engessados

Ambientes que não permitem questionamento ou experimentação tendem a:

  • Reduzir engajamento
  • Diminuir inovação
  • Transformar pessoas em executoras passivas

E isso é um problema que nenhuma IA resolve.

Como equilibrar custo e qualidade no uso de modelos

Nem todo problema precisa do modelo mais caro. Uma estratégia eficiente é separar o processo em duas etapas:

1. Planejamento (modelo mais avançado)
  • Usar modelos mais caros para gerar planos e decisões
  • Investir tempo em estruturar bem o problema
2. Execução (modelo mais barato)
  • Usar modelos mais simples para implementar
  • Reduzir custo sem perder qualidade

Esse approach funciona porque:

  • Um bom plano reduz erros
  • Modelos mais baratos funcionam bem com instruções claras

Além disso, reforça uma ideia importante:

O gargalo deixou de ser escrever código, agora é pensar corretamente antes de escrever.

Como incentivar inovação sem perder controle de custos?

Um caminho prático é criar espaços controlados de experimentação, como:

  • Hackathons internos
  • Períodos dedicados a testes
  • Ambientes com limites definidos

Mas o ideal vai além disso. Empresas realmente inovadoras:

  • Têm processos claros para testar ideias
  • Incentivam contribuição ativa dos times
  • Não punem experimentação

E, principalmente:

Inovação não vem de ferramentas, vem de ambiente e cultura.

Como decidir quando vale pagar mais caro por IA?

Ainda não existe uma fórmula perfeita. Mas algumas práticas ajudam:

  • Medir impacto real no negócio (não só eficiência)
  • Comparar custo vs ganho em velocidade ou qualidade
  • Avaliar caso a caso

Uma heurística útil:

  • Use modelos caros para decisões críticas
  • Use modelos baratos para tarefas repetitivas

E sempre com um cuidado:

Otimizar custo sem entender impacto pode sair mais caro no longo prazo.

As empresas vão começar a limitar o uso de IA?

Sim, e isso já está acontecendo. Algumas formas comuns:

  • Rate limits
  • Budgets por time ou ferramenta
  • Planos com limites de uso
  • Auditoria de consumo

Isso tende a se intensificar, principalmente porque:

  • Muitos custos ainda estão subsidiados
  • O uso está crescendo rapidamente

Ao mesmo tempo, a IA está se expandindo para áreas além da engenharia, como:

  • Financeiro
  • Jurídico
  • Operações

E isso aumenta ainda mais a necessidade de governança.

Como tomar decisões sem saber o ROI da IA

Aqui entra um ponto fundamental: Existem apenas duas formas de aumentar lucro:

  1. Aumentar receita
  2. Reduzir custos

Muitas empresas estão focando apenas na segunda. Mas a IA também permite:

  • Criar novos produtos
  • Explorar novas fontes de receita
  • Testar ideias mais rapidamente

Ou seja:

IA não deve ser vista apenas como ferramenta de redução de custo, mas como motor de criação de valor.

Quem é responsável pelo custo da IA

Hoje, isso ainda está em definição. Mas tende a ser uma responsabilidade compartilhada:

  • Engenharia → uso consciente
  • Liderança → definição de orçamento e diretrizes

Esse problema já existia com cloud, e agora se repete com IA:

  • Times usam sem visibilidade de custo
  • Conta chega depois

A solução passa por:

  • Transparência
  • Alinhamento entre áreas
  • Definição clara de limites

IA sozinha melhora resultados?

Não. Se os processos da empresa forem ruins, a IA apenas acelera esses problemas. Para extrair valor real, é necessário:

  • Melhorar planejamento
  • Alinhar times
  • Definir bem o produto

Caso contrário:

A IA só vai ajudar você a errar mais rápido.

Engenheiros vão precisar pensar mais em produto

Em empresas altamente técnicas (ex: infraestrutura, deep tech), o foco técnico continua essencial. Mas na maioria dos produtos digitais o valor está em resolver problemas do cliente e não na complexidade tecnológica.

Isso exige um shift: menos foco em tecnologia pela tecnologia e mais foco em impacto no usuário.

O que muda daqui pra frente?

A forma de trabalhar com tecnologia vai mudar, e bastante. Alguns pontos que tendem a ganhar importância:

  • Pensamento abstrato
  • Fundamentos (estrutura de dados, lógica, arquitetura)
  • Capacidade de definir problemas

Enquanto isso, coisas que perdem importância:

  • Linguagens específicas
  • Implementação manual repetitiva

A IA reforça uma verdade que sempre existiu:

Saber programar não é saber escrever código, é saber resolver problemas.

Conclusão

A IA não é uma solução mágica. Ela amplifica:

  • Boas práticas → melhores resultados
  • Más práticas → problemas maiores

Empresas que vão se destacar são aquelas que:

  • Focam no produto
  • Investem em planejamento
  • Criam ambientes de inovação
  • Usam IA com estratégia, não por hype

No fim, a pergunta não é: “Como usar IA?”

Mas sim: “Como gerar valor real com IA?”

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