Nesta conversa, Rafael Escrich fala sobre os custos de IA, métricas relevantes, governança de modelos e o impacto da IA na inovação e na organização de equipes de desenvolvimento.
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Resumo do episódio
Quais métricas realmente fazem sentido ao trabalhar com IA
Existe uma tendência perigosa nas empresas: criar métricas apenas porque “é preciso ter métricas”. Isso leva a indicadores pouco úteis — como medir simplesmente o uso de IA (tokens, chamadas, etc.), sem conexão com o resultado real do negócio.
O ponto central é simples: métricas precisam estar conectadas ao produto, à experiência do usuário e ao revenue. Focar apenas em uso ou eficiência técnica ignora questões mais importantes:
- O produto está resolvendo melhor o problema do cliente?
- Está gerando mais receita?
- Está melhorando a experiência?
Além disso, IA não resolve problemas estruturais da organização. Pelo contrário: ela expõe falhas existentes, especialmente no alinhamento entre áreas como produto, engenharia e liderança.
IA realmente facilita a entrega de produtos?
Não tanto quanto parece. A IA acelera a escrita de código — mas código é a última etapa do processo. Antes disso, existem etapas críticas:
- Entendimento do problema
- Definição de produto
- Alinhamento entre stakeholders
- Decisões arquiteturais
Se essas etapas não estiverem bem resolvidas, a IA apenas acelera a criação de código ruim. Em outras palavras:
Fazer código mais rápido não significa entregar valor mais rápido.
Governança vs liberdade: até onde controlar o uso de IA
Ferramentas de IA têm custo, e, muitas vezes, alto. Isso naturalmente leva à necessidade de controle. Mas controle excessivo pode sufocar inovação. O equilíbrio passa por alguns princípios:
- Dar autonomia com responsabilidade
- Criar espaços seguros para experimentação
- Incentivar propostas vindas do time
- Evitar ambientes rígidos e engessados
Ambientes que não permitem questionamento ou experimentação tendem a:
- Reduzir engajamento
- Diminuir inovação
- Transformar pessoas em executoras passivas
E isso é um problema que nenhuma IA resolve.
Como equilibrar custo e qualidade no uso de modelos
Nem todo problema precisa do modelo mais caro. Uma estratégia eficiente é separar o processo em duas etapas:
1. Planejamento (modelo mais avançado)
- Usar modelos mais caros para gerar planos e decisões
- Investir tempo em estruturar bem o problema
2. Execução (modelo mais barato)
- Usar modelos mais simples para implementar
- Reduzir custo sem perder qualidade
Esse approach funciona porque:
- Um bom plano reduz erros
- Modelos mais baratos funcionam bem com instruções claras
Além disso, reforça uma ideia importante:
O gargalo deixou de ser escrever código, agora é pensar corretamente antes de escrever.
Como incentivar inovação sem perder controle de custos?
Um caminho prático é criar espaços controlados de experimentação, como:
- Hackathons internos
- Períodos dedicados a testes
- Ambientes com limites definidos
Mas o ideal vai além disso. Empresas realmente inovadoras:
- Têm processos claros para testar ideias
- Incentivam contribuição ativa dos times
- Não punem experimentação
E, principalmente:
Inovação não vem de ferramentas, vem de ambiente e cultura.
Como decidir quando vale pagar mais caro por IA?
Ainda não existe uma fórmula perfeita. Mas algumas práticas ajudam:
- Medir impacto real no negócio (não só eficiência)
- Comparar custo vs ganho em velocidade ou qualidade
- Avaliar caso a caso
Uma heurística útil:
- Use modelos caros para decisões críticas
- Use modelos baratos para tarefas repetitivas
E sempre com um cuidado:
Otimizar custo sem entender impacto pode sair mais caro no longo prazo.
As empresas vão começar a limitar o uso de IA?
Sim, e isso já está acontecendo. Algumas formas comuns:
- Rate limits
- Budgets por time ou ferramenta
- Planos com limites de uso
- Auditoria de consumo
Isso tende a se intensificar, principalmente porque:
- Muitos custos ainda estão subsidiados
- O uso está crescendo rapidamente
Ao mesmo tempo, a IA está se expandindo para áreas além da engenharia, como:
- Financeiro
- Jurídico
- Operações
E isso aumenta ainda mais a necessidade de governança.
Como tomar decisões sem saber o ROI da IA
Aqui entra um ponto fundamental: Existem apenas duas formas de aumentar lucro:
- Aumentar receita
- Reduzir custos
Muitas empresas estão focando apenas na segunda. Mas a IA também permite:
- Criar novos produtos
- Explorar novas fontes de receita
- Testar ideias mais rapidamente
Ou seja:
IA não deve ser vista apenas como ferramenta de redução de custo, mas como motor de criação de valor.
Quem é responsável pelo custo da IA
Hoje, isso ainda está em definição. Mas tende a ser uma responsabilidade compartilhada:
- Engenharia → uso consciente
- Liderança → definição de orçamento e diretrizes
Esse problema já existia com cloud, e agora se repete com IA:
- Times usam sem visibilidade de custo
- Conta chega depois
A solução passa por:
- Transparência
- Alinhamento entre áreas
- Definição clara de limites
IA sozinha melhora resultados?
Não. Se os processos da empresa forem ruins, a IA apenas acelera esses problemas. Para extrair valor real, é necessário:
- Melhorar planejamento
- Alinhar times
- Definir bem o produto
Caso contrário:
A IA só vai ajudar você a errar mais rápido.
Engenheiros vão precisar pensar mais em produto
Em empresas altamente técnicas (ex: infraestrutura, deep tech), o foco técnico continua essencial. Mas na maioria dos produtos digitais o valor está em resolver problemas do cliente e não na complexidade tecnológica.
Isso exige um shift: menos foco em tecnologia pela tecnologia e mais foco em impacto no usuário.
O que muda daqui pra frente?
A forma de trabalhar com tecnologia vai mudar, e bastante. Alguns pontos que tendem a ganhar importância:
- Pensamento abstrato
- Fundamentos (estrutura de dados, lógica, arquitetura)
- Capacidade de definir problemas
Enquanto isso, coisas que perdem importância:
- Linguagens específicas
- Implementação manual repetitiva
A IA reforça uma verdade que sempre existiu:
Saber programar não é saber escrever código, é saber resolver problemas.
Conclusão
A IA não é uma solução mágica. Ela amplifica:
- Boas práticas → melhores resultados
- Más práticas → problemas maiores
Empresas que vão se destacar são aquelas que:
- Focam no produto
- Investem em planejamento
- Criam ambientes de inovação
- Usam IA com estratégia, não por hype
No fim, a pergunta não é: “Como usar IA?”
Mas sim: “Como gerar valor real com IA?”
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