Neste episódio, Edu Matos conversa com Reinaldo Lima, CTO com 20 anos de experiência em tecnologia, sobre a formação e gestão de equipes de desenvolvimento. Reinaldo compartilha experiências sobre como criar equipes eficazes, a importância de entender o contexto do negócio, indicadores de desempenho, e como lidar com mudanças na equipe.
Equipes de alta performance não são as que entregam mais funcionalidades, mas as que geram mais valor para o negócio.
Formar uma equipe de tecnologia não segue uma receita de bolo. O ponto de partida é sempre o entendimento profundo do contexto de negócio. Antes de contratar profissionais, é essencial entender a missão do time e quais entregáveis são esperados a curto, médio e longo prazo.
Dessa forma, é possível determinar se o time precisa de especialistas em back-end, front-end, mobile, ou uma combinação dessas e outras habilidades. O envolvimento de stakeholders nesse processo ajuda a evitar pressões por contratações apressadas e custos desnecessários.
Equipes pequenas demais revelam sua limitação através de métricas claras: backlog crescendo sem controle e aumento do lead time. Quando a capacidade de entrega é menor que a demanda, é um sinal claro de que o time precisa de reforço.
Por outro lado, equipes muito grandes geram retrabalho e redução da qualidade, além de conflitos na integração de código. Nesse caso, o surgimento de uma figura salvadora, geralmente o Tech Lead, pode indicar a necessidade de dividir o time.
Para entender se um time entrega pouco por ser pequeno ou por ter baixo desempenho, é necessário observar as últimas seis sprints de maneira flutuante. Se a produtividade do time como um todo cai, é hora de investigar no nível individual. Treinamento, padronização e feedbacks são ferramentas importantes para ajustar esse problema.
Embora o tamanho ideal dependa do contexto, times de cinco pessoas tendem a funcionar bem, especialmente quando se trata apenas de desenvolvedores. Se o time ultrapassar oito integrantes, dividir o grupo pode manter a eficiência.
Desfazer uma equipe não é uma decisão simples e ocorre principalmente quando um produto é descontinuado. Nesses momentos, é importante comunicar a mudança de forma individual, garantindo clareza sobre os próximos passos para cada membro e evitando inseguranças desnecessárias.
Indicadores de entrega, qualidade e retrabalho são essenciais para ajustar o ritmo de uma equipe. O Tech Lead, junto ao time, deve acompanhar essas métricas para identificar pontos de melhoria e atuar proativamente.
Na maioria dos casos, sim. A presença de um Tech Lead ou de uma referência técnica facilita a troca de conhecimento e o suporte a profissionais mais iniciantes. Sempre que possível, promover profissionais internos motiva o time e facilita a transição.
Empresas menores, especialmente startups em estágios iniciais, podem não se beneficiar da presença de um Product Manager logo de início. Nesses casos, o envolvimento direto dos fundadores com o produto costuma ser mais eficaz.
Incluir profissionais júniores desde o início permite que eles absorvam a cultura e as boas práticas da empresa, além de garantir a continuidade do time ao longo dos anos. O segredo é oferecer acompanhamento e treinamentos adequados.
Times de alta performance são aqueles que geram valor para o negócio, colaboram entre si e constroem um ambiente de confiança e segurança psicológica. O envolvimento dos desenvolvedores no processo de discovery também é fundamental para estimular o pensamento crítico e o entendimento de contexto.
A motivação surge do entendimento das expectativas individuais. One-on-ones regulares ajudam a identificar o que motiva cada pessoa e evitam situações desconfortáveis que possam prejudicar a produtividade.
Hard skills são importantes, mas soft skills são decisivas. Profissionais são frequentemente desligados por problemas comportamentais, não técnicos. O alinhamento cultural com a empresa deve ser um critério essencial nas contratações.
Formar uma equipe de tecnologia eficaz exige uma combinação de clareza nos objetivos de negócio, análise de métricas, atenção às soft skills e um olhar cuidadoso para as expectativas individuais. O sucesso de um time não depende apenas de sua capacidade técnica, mas também de sua capacidade de colaborar, aprender e gerar valor de forma consistente.