Neste episódio Éric Gomides, Senior Engineering Manager na Hotmart, traz suas reflexões e experiências práticas sobre aplicação e uso de métricas e processos em times de tecnologia. Conversamos sobre como frameworks de métricas (DORA e SPACE), melhorias contínuas e a importância da integração entre time e liderança.
Não é só definir métricas e ter dashboards. É realmente levar isso para o time, tomar decisões, agir e depois olhar os novos dados. A partir disso, aprendemos ou resolvemos.
Medir a produtividade em times de software não é tão simples quanto contar caixas em uma fábrica. Cada tarefa de desenvolvimento tem complexidades únicas, o que torna inviável avaliar a produtividade de indivíduos de forma isolada. No entanto, é possível e essencial medir a produtividade de equipes.
Frameworks como o DORA (Deployment Frequency, Lead Time, Time to Restore e Change Failure Rate) ajudam a acompanhar o desempenho das equipes. Mas atenção: métricas não devem ser usadas de forma genérica. A recomendação é começar identificando os problemas específicos do time, formulando hipóteses e escolhendo métricas que ajudem a validá-las. Mais importante ainda é agir com base nas métricas, ajustando processos e priorizando melhorias.
Modelos como o DORA são ótimos pontos de partida, mas precisam ser adaptados ao contexto. Por exemplo, equipes que desenvolvem aplicativos mobile talvez não possam fazer deploys diários, como sugerem as métricas de alta performance. Assim, é fundamental analisar o significado dos números para o time e para o negócio.
Benchmarking pode ser útil, mas não deve ser uma meta em si. O foco deve ser melhorar continuamente, garantindo que as métricas reflitam os objetivos reais do time. O ideal é equilibrar rapidez e qualidade, alinhando os esforços técnicos às demandas do negócio.
O conceito de Developer Experience (DevEx) coloca o desenvolvedor no centro das discussões sobre produtividade. Isso envolve criar condições para que as pessoas possam focar no que realmente importa, reduzindo interrupções e otimizando ferramentas e processos.
Três pilares do DevEx merecem destaque:
Empresas que tratam o DevEx como estratégico tendem a melhorar não só a produtividade, mas também a satisfação dos times.
Eric compartilhou como seu time começou avaliando o fluxo de trabalho, medindo o número de histórias recebidas, em andamento e concluídas. Aos poucos, introduziram métricas do DORA, como Lead Time e Deployment Frequency, e exploraram outras medidas, como o tamanho de PRs e o tempo gasto em code reviews.
Uma dica prática é usar gráficos para visualizar o fluxo de trabalho, identificando gargalos e ineficiências. Por exemplo, ao perceber que mais tempo era gasto em code reviews do que em desenvolvimento, o time experimentou pair programming, o que reduziu o tempo geral e melhorou os resultados.
Gerenciar débito técnicas é um desafio constante. Esses débitos devem ser tratados como projetos técnicos, classificando-os em três categorias:
A priorização deve considerar o impacto no negócio. Quando um débito técnico começa a prejudicar entregas ou a experiência do cliente, é hora de agir.
Um time engajado com métricas tende a obter melhores resultados. Para isso, a liderança deve evitar a imposição de números e envolver o time na definição e análise das métricas. Incentivar o debate e trazer transparência nos dados transforma as métricas em ferramentas de aprendizado coletivo, e não de controle.
Produtividade é uma jornada contínua. Seja você desenvolvedor ou líder, olhe para métricas como ferramentas para resolver problemas e melhorar processos. Comece simples, identifique os maiores desafios do seu time e envolva todos na busca por soluções.
Se você quer aprender mais sobre métricas em Tecnologia então confira os diversos conteúdos que temos sobre esse tema na Escola Forja, entre eles o treinamento de Métricas para Tech Leaders com o Caco Mafra, Marcelo Neves e Luciano Holanda, a Masterclass sobre Métricas de Tecnologia com o Gabriel Cunha, e o estudo de caso de Implementação de Métricas na Too Seguros com o Bruno Giannella.