Neste episódio, Edu Matos e Gui Santos discutem a importância das métricas no contexto de engenharia e negócios. Eles abordam como as métricas de negócio devem ser o ponto de partida para as equipes de engenharia, a armadilha das métricas de vaidade, e a necessidade de diferenciar entre métricas que ajudam na tomada de decisão e aquelas que servem para investigação. Além disso, falam sobre a hierarquia nas métricas, a escolha de ferramentas adequadas e os desafios na medição de métricas complexas.
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- LinkedIn do Gui Santos
- Livro “Engineering Metrics”
- Platform.Rocks
- OKR scoring
- Lei de Goodhart
- Árvore de KPI
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Resumo do episódio
A relevância das métricas no dia a dia
Sem métricas, estamos apenas expressando opiniões. Medir o desempenho de uma equipe ou de um sistema é essencial para:
- Tomar decisões com base em dados reais.
- Monitorar o andamento das atividades.
- Garantir transparência e clareza nos resultados entregues.
Quando não há uma mensuração adequada, é difícil demonstrar o valor do trabalho realizado e identificar pontos de melhoria.
Por onde começar quando não existem métricas
Mesmo em empresas que ainda não possuem métricas estruturadas, o ponto de partida geralmente está nas metas do negócio. Identificar indicadores já acompanhados pela área comercial – como receita, NPS ou churn – permite:
- Trazer para a engenharia a conexão com os objetivos gerais da empresa.
- Adaptar esses indicadores para refletir o desempenho técnico e a experiência do usuário.
- Estabelecer um ponto de partida para a criação de dashboards e rotinas de análise.
Alinhando métricas de engenharia com metas de negócio
Em um cenário onde, por exemplo, a meta seja aumentar a retenção dos usuários, é importante ir além das medidas técnicas tradicionais (como uso de CPU ou memória). Essas são algumas práticas:
- Analisar se a aplicação apresenta lentidão ou problemas que afetam a experiência do usuário.
- Verificar a ocorrência de bugs e falhas que possam impactar a percepção do produto.
- Relacionar dados operacionais com indicadores de negócio, como, por exemplo, conectar o desempenho técnico com o churn e a satisfação do cliente.
Evitando métricas de vaidade e a paralisia analítica
Não é incomum encontrar equipes que se prendem a indicadores superficiais, como número de commits, pull-requests ou story points. Esses dados, muitas vezes, são chamados de “métricas de vaidade” e podem:
- Inflar números sem refletir o valor real entregue.
- Induzir decisões equivocadas se usados de forma isolada.
- Gerar paralisia analítica ao sobrecarregar gestores com informações que não traduzem ações práticas.
O ideal é definir indicadores-chave (KPI) que estejam alinhados aos objetivos estratégicos e sirvam de base para ações decisivas, diferenciando entre métricas que guiam decisões e aquelas que apenas sinalizam a necessidade de investigação.
Reduzindo a pressão sobre as equipes
Quando os números se tornam metas rígidas, há o risco de que a equipe passe a “jogar com os números” em vez de focar na criação de valor. Para minimizar essa pressão você pode:
- Utilizar frameworks de metas, como OKRs, que permitem margens de erro e incentivam a experimentação.
- Definir indicadores que estimulem o aprendizado e a melhoria contínua, em vez de exigir resultados binários.
- Manter o foco no caminho a ser seguido – e não apenas no número final – garantindo que as decisões se mantenham alinhadas com os objetivos estratégicos.
Métricas em diferentes níveis de liderança
Uma abordagem eficiente envolve a criação de uma “árvore de KPIs”, que conecta os objetivos estratégicos da empresa às métricas operacionais. Dessa forma:
- Diretores e executivos acompanham indicadores macro, como receita, despesa e satisfação do cliente.
- Líderes e gerentes monitoram dados mais específicos, como a eficiência operacional do time, qualidade do produto e performance técnica.
- Cada nível adota indicadores que fazem sentido para suas responsabilidades, garantindo que a análise seja tanto global quanto detalhada.
Ferramentas de métricas
A seleção da ferramenta adequada depende do suporte e da maturidade da empresa para lidar com dados. É importante considerar:
- Ferramentas de BI consolidadas, que já são usadas para acompanhar métricas de negócio.
- Soluções específicas para a área de engenharia, capazes de integrar dados de múltiplas fontes, como sistemas de versionamento (GitHub, GitLab…), ferramentas de gerenciamento de tarefas (Jira, Linear…) e até calendários para monitorar o tempo gasto em reuniões.
- A capacidade da ferramenta em agregar dados de diferentes plataformas para construir uma jornada de métricas que faça sentido para o contexto da empresa.
Decisões baseadas em dados vs intuição
Dados são fundamentais, mas a experiência e a intuição também desempenham um papel importante na tomada de decisões. Para encontrar esse equilíbrio:
- Utilize métricas para validar as hipóteses e acompanhar os resultados das decisões.
- Esteja disposto a ajustar a direção caso os indicadores mostrem desvios em relação aos objetivos.
- Reconheça que, especialmente em momentos de incerteza, a intuição baseada em experiência pode complementar os dados, sempre mantendo o monitoramento dos resultados para embasar futuras mudanças.
Métricas essenciais para iniciar um time de engenharia
Para times em início de jornada, a recomendação é começar com um conjunto enxuto de indicadores que realmente impactem o desempenho e auxiliem no planejamento. Essas são algumas sugestões:
- Alinhar as métricas do time aos objetivos de negócio. Por exemplo: acompanhar o funil de onboarding ou a retenção de usuários).
- Medir o cycle time (tempo de desenvolvimento) para identificar gargalos e melhorar a eficiência.
- Focar em indicadores que permitam ações rápidas e que possam ser ajustados conforme o time amadurece.
. O Papel das métricas de experiência do desenvolvedor (DevEx)
A experiência do desenvolvedor tem ganhado destaque, pois um ambiente de trabalho otimizado reflete diretamente na produtividade e qualidade dos produtos. Esses são alguns pontos que você deve ficar atento:
- A avaliação da fluidez da jornada do desenvolvedor, identificando obstáculos que possam atrapalhar a entrega.
- O uso de métricas que vão além do tradicional NPS, considerando aspectos como o “golden path” (a rota ideal de entrega) e os ciclos de feedback.
- A importância de criar um ambiente que não só otimize processos técnicos, mas também garanta bem-estar e segurança psicológica para a equipe.
Conclusão
Implementar e monitorar métricas é uma jornada contínua que envolve não só tecnologia, mas também cultura e estratégia. Ao definir os indicadores certos, integrar as ferramentas adequadas e equilibrar dados com a experiência, é possível transformar números em ações que realmente impulsionam o sucesso do negócio.
Reflita sobre quais métricas são essenciais para a realidade do seu time e esteja sempre preparado para ajustar a rota – afinal, o objetivo é acompanhar o caminho e não se prender a números isolados.
Você pode aprender mais sobre Métricas para Tech Leaders no treinamento de Métricas da Escola Forja, onde abordamos métricas de negócio, pessoas e processos. Idealmente confira também o Workshop de Métricas de Tecnologia para fechar o ciclo.
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